Covid-19 e Meio Ambiente
- Céu de Brigadeiro
- 5 de jun. de 2020
- 2 min de leitura
Olá papais e mamães,
No ano passado, quando aproveitamos a Semana do Meio Ambiente para chamar atenção para problemas socioambientais, como o acesso à água, não poderíamos imaginar onde estaríamos hoje. Quase ninguém podia.
E, apesar da letalidade da doença e seu impacto social e cultural estarem nas manchetes de todos os jornais, é importante ressaltar que os problemas socioambientais que mencionamos antes ainda existem e estão contribuindo para aumentar a gravidade desta pandemia.
Por exemplo, foi amplamente divulgado que a medida de prevenção mais eficiente conhecida, até agora, é o simples ato de lavar as mãos com água e sabão após entrar em contatos com elementos, objetos e superfícies potencialmente expostas à contaminação. Um ato simples, sim, para nós, entretanto, algo que ainda não faz parte da realidade cotidiana de um percentual crescente da população mundial, inclusive da brasileira, que não somente não tem acesso à água encanada, como muitas vezes lida com barreiras tais quais secas prolongadas, poluição e fatores geográficos.
Cabe também ressaltar que, ao tratarmos aqui de acesso à água, falamos de água, de modo geral, sem sequer adentrar a questão da escassez de água potável - cujos dados trazidos no ano anterior já estimavam que, em 10 anos, a demanda deve ser 40% superior à disponibilidade no planeta. Assim, o simples acesso a um elemento natural fundamental para o desenvolvimento humano ainda figura como um dos maiores problemas socioambientais conhecidos, enquanto sua solução parece cada dia mais complexa e distante. Essa percepção é, não somente alarmante para o futuro, como bastante grave dado o contexto da crise sanitária presente.
Além disso, no outro espectro dessa questão, a pandemia tem levado a um aumento da poluição percebida ao longo da costa de diversos países do hemisfério norte, sobretudo da Ásia. Somado aos resíduos plásticos habituais, ambientalistas têm recolhido uma infinidade de máscaras cirúrgicas e luvas descartáveis. Esses elementos, assim como as sacolas plásticas, são facilmente confundidos com alimento por animais como tartarugas, botos e golfinhos, o que os coloca no topo das ameaças a vida marinha.
Em virtude do descarte desses materiais, estima-se que, ainda que as atividades econômicas, comerciais e industriais de vários países tenha registrado queda, a quantidade plástico descartado a chegar aos oceanos seja maior ou igual ao registrado em 2019.
Infelizmente, quando tratamos do descarte adequado dos mesmos, a situação também não é positiva, visto que o risco de contaminação dos funcionários ligados à coleta, triagem e processamento inviabiliza a reciclagem. Ou seja, a melhor opção ainda é o emprego de máscaras reutilizáveis, prestando atenção ao seu uso e higienização.
Além do plástico, ambientalistas temem registrar o aumento da concentração de químicos nas águas de rios e mares. Os poluentes em questão estariam diretamente ligados à composição de sabões, cujo uso para assepsia de mãos cresceu muito em um período de tempo muito curto.
Segundo a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental, em São Paulo, mesmo o uso doméstico de detergentes biodegradáveis não garante que o impacto do despejo desse material não seja sentido. De acordo com a instituição, o se a quantidade de material na água for muito grande, as bactérias responsáveis pela degradação do componente não conseguem trabalhar, por falta de oxigênio.

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